Biologia floral e reprodutiva de Cenostigma macrophyllum Tul. (Fabaceae) no Parque Zoobotânico de Teresina, Piauí

Bruno Ayron de Souza Aguiar, Elda Simone dos Santos Soares, Mariana Lenara de Andrade Masrua, Maria da Conceição Prado de Oliveira, Ariadna Valentina de Freitas Lopes, Gardene Maria de Sousa

Resumo


Cenostigma macrophyllum Tul. é conhecido popularmente como caneleiro, possui hábito arbóreo, caule sulcado, sendo considerada planta símbolo da capital Teresina (PI). O objetivo deste trabalho foi investigar a biologia floral e Reprodutiva de Cenostigma macrophyllum no Parque Zoobotânico de Teresina, Piauí. Foram selecionados 15 indivíduos e analisados quanto à morfologia e morfometria floral, período de antese, receptividade estigmática, deiscência das anteras, volume de néctar, comportamento dos visitantes florais na eficácia da polinização e o sistema reprodutivo. As flores são monóclinas, dispõem-se em cerca de 81,28±25,74 flores por inflorescência racemosas. Néctar produzido e armazenado no hipanto com média de produção de 1,75 μL. A antese floral teve duração de dois dias, com pétalas totalmente distendidas às 6h, estigma receptivo as 7h e deiscência iniciando as 9h, abrindo em grupos no decorrer do dia. Os polinizadores e pilhadores iniciaram as visitas por volta das 6h até às 17h em flores do primeiro dia de antese forrageando em busca de néctar. Os polinizadores efetivos foram abelhas, com maior frequência (64%), Xylocopa sps, Apis mellifera e Centris sp., que utilizavam a pétala estandarte para acessar o néctar. Os polinizadores ocasionais foram lepidópteros, pois nem sempre contactavam as partes reprodutivas. Como pilhadoras, abelhas Trigona spinipes e o beija-flor Amazilia fimbriata que não tocavam os órgãos reprodutivos ao coletarem néctar. A espécie é Xenogâmica e apresenta sistema reprodutivo dicogâmico protogínico, uma vez que, ocorre a separação temporal de maturação dos verticilos reprodutivos. O Tratamento de escarificação mecânica apresentou maior pontecial para rápida germinação das sementes.


Palavras-chave


Polinização, Antese, Dicogâmico, Germinação

Texto completo:

PDF (Português)

Referências


AGUIAR, B. A. S.; SOUSA, G. M.; LOPES, A. V. 2012. Biologia floral, fenologia reprodutiva e sistema de polinização de Cenostigma macrophyllum tul.(Leguminosae) no Parque Zoobotânico de Teresina-Pi. Anais XXI Seminário de Iniciação Científica, Teresina, Piauí, Brasil.

AGUIAR, C.M.L.; ZANELLA, F.C.V.; MARTINS, C.F.; CARVALHO, C.A.L. 2003. Plantas visitadas por Centris spp. (Hymenoptera: Apidae) na caatinga para obtenção de recursos florais. Neotropical Entomology, vol.32, p.247-259.

ALMEIDA, N. M.; BEZERRA, T. T.; OLIVEIRA, C. R. S.; NOVO, R. R.; SIQUEIRA-FILHO, J. A.; OLIVEIRA, P. E.; CASTRO, C. C. 2015. Breeding systems of enantiostylous Cassiinae species (Fabaceae, Caesalpinioideae). Flora-Morphology, Distribution, Functional Ecology of Plants, v. 215, p. 9-15.

ALMEIDA, N. M.; CASTRO, C. C.; LEITE, A. V. L.; NOVO, R. R.; MACHADO, I. C. 2013. Enantiostyly in Chamaecrista ramosa (Fabaceae‐Caesalpinioideae): floral morphology, pollen transfer dynamics and breeding system. Plant Biology, v.15, n.2, p.369-375.

ALVES, C. Q.; DAVID, J. M.; DAVID, J. P. ; VILLAREAL, C. F.; SOARES, M. B. P.; Queiroz, L.P.; Aguiar, R. M. 2012. Flavonoids and other bioactive phenolics isolated from Cenostigma macrophyllum (Leguminosae). Química Nova, vol.35, n.6, p.1137-1140.

ARROYO, M.T.K. 1981. Breeding systems and pollination biology in Leguminosae. In: POLHIL, R.M.; RAVEN, P.H. Advances in legume systematics. Kew: Royal Botanic Gardens, vol.2, p.723-769.

ARRUDA, D. M.; BRANDÃO, D. O.; VELOSO, M. D. D. M.; NUNES, Y. R. F. 2015. Germinação de sementes de três espécies de Fabaceae típicas de floresta estacional decidual. Pesq. flor. bras., Colombo, v. 35, n. 82, p. 135-142.

BARROS, E. C. O.; WEBBER, A. C.; MACHADO, I. C. 2013. Limitação de polinizadores e mecanismo de autoincompatibilidade de ação tardia como causas da baixa formação de frutos em duas espécies simpátricas de Inga (Fabaceae–Mimosoideae) na Amazônia Central. Rodriguésia-Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, v.64, n.1, p.37-47.

BAWA, K. S.; BULLOCK, S. H.; PERRY, D. R.; CVILLE, R. E.; GRAYUM, M. H. 1985. Reproductive biology lowland rain Forest trees. II. Pollinations mechanism. American Jornal Of Botany, v.72, p. 346-356.

BEZERRA, F. T. C.; ANDRADE, L. A.; BEZERRA, M. A. F.; PEREIRA, W. E.; FABRICANTE, J. R.; DE OLIVEIRA, L. S. B.; FEITOSA, R. C. 2012. Biometria de frutos e sementes e tratamentos pré-germinativos em Cassia grandis L. f.(Fabaceae).Semina: Ciências Agrárias, v. 33, n. 6Supl1, p. 2863-2876.

BORGES, L. A.; SOBRINHO, M. S.; LOPES, A. V. 2009. Phenology, pollination, and breeding system of the threatened tree Caesalpinia echinata Lam.(Fabaceae), and a review of studies on the reproductive biology in the genus. Flora-Morphology, Distribution, Functional Ecology of Plants, v. 204, n. 2, p. 111-130.

BORGES, L. A.; SOUZA, L. G. R.; GUERRA, M.; MACHADO, I. C.; LEWIS, G. P.; LOPES, A. V. 2012. Reproductive isolation between diploid and tetraploid cytotypes of Libidibia ferrea (=Caesalpinia ferrea)(Leguminosae): ecological and taxonomic implications. Plant Systematics and Evolution, v.298, n.7, p.1371-1381.

BULLOCK, SH. 1985. Sistemas de criação na flora de uma floresta tropical decídua no México. Biotropica, v. 17, p. 287-301.

CARLEIAL, S.; DELGADO‐SALINAS, A.; DOMÍNGUEZ, C. A.; TERRAZAS, T. 2015. Reflexed flowers in Aeschynomene amorphoides (Fabaceae: Faboideae): a mechanism promoting pollination specialization?. Botanical Journal of the Linnean Society, v. 177, n. 4, p. 657-666.

COELHO, M. D. F. B.; SOUZA, J. W. N.; KÉSYA, A.; LIMA, B. 2014. Overcoming seed dormancy of Albizia lebbeck (l.) Benth. Journal of Global Biosciences ISSN, v. 3, n. 2, p. 488-493, 2014.

COSTA, F. O.; LIMA, D. C. R.; SILVA, L. G. 2014. Biologia reprodutiva de Vatairea macrocarpa (BENTH.) Ducke (Fabaceae-Faboideae) em uma área de Cerrado no município de Chapadinha, MA, Brasil. Brasília. Heringeriana, vol.8, p.1-19.

COSTA, R. B., CONTINI, A. Z.; MELO, E. S. P. 2003. Sistema reprodutivo de Anadenanthera peregrina (L.) Speg. e Vochysia haenkiana (Spreng.) Mart. Em fragmento de cerrado na Chapada dos Guimarães – MT. Ciência Rural, vol. 33, p.305-310.

CRUDEN, R. W. 1977. Pollen-ovule ratios: A conservative indicator of breeding systems in flowering plants. Evolution, vol.31, p. 32-46.

DAFNI, A., KEVAN, P.G.; HUSBAND, B.C. 2005. Practical pollination biology. Cambridge University Press, Cambridge, 590p.

DAFNI, A.; MAUÉS, M. M. A. 1998. rapid and simple procedure to determine stigma receptivity. Sexual Plant Reproduction, vol.11, p.117-180.

DUTRA, A. S.; MEDEIROS FILHO, S.; DINIZ, F. O. 2007. Dormancy, substratum and temperature for germination of Albízia (Albizia lebbeck (L.) seeds. Revista Ciência Agronômica, v. 38, n. 3, p. 291, 2007.

ENDRESS, P. K. 1994. Diversity and evolutionary biology of tropical flowers. Cambridge University Press. Cambridge.

FAEGRI, K.; VAN DER PIJL, L. 2013. Principles of pollination ecology. Elsevier.

FENNER, M., Seed ecology. 1985. Chapman and Hall, New York, USA, 151p.

FENSTER, C. B.; ARMBRUSTER, W. S., WILSON, P.; DUDASH, M. R.; THOMSON, J. D. 2004. Pollination syndromes and floral specialization. Annual Review of Ecology, Evolution, and Systematics, p. 375-403.

FRANKIE, G. W.; VINSON, S. B. 1977. Scent marking of passion flowers in Texas by females of Xylocopa virginica texana (Hymenoptera: Anthophoridae). J. Kans. ent. Soc., Oklahoma, vol. 50, p. 613-625.

GOTTSBERGER, G.; SILBERBAUER–GOTTSBERGER, I. 1988. Evolution of flower structures and pollination in Neotropical Cassiinae (Caesalpinaceae) species. Phyton, Horn, vol. 28, p.293-320.

INOUYE, D. W.; FAVRE, N. D.; LANUN, J. A.; LEVINE, D. M.; MEYERS, J. B.; ROBERTS, M. S.; TSAO, F. C.; WANG, Y. Y. 1980. The effect of non-sugar nectar constituents on estimates of nectar energy content. Ecology, vol. 61, p.992-995.

KEARNS, C. A.; INOUYE, D. W. 1993. Techniques for pollination biologists. University Press of Colorado, Niwot.

KIILL, L. H. P.; DRUMOND, M. A. 2001. Biologia floral e sistema reprodutivo de Gliricidia sepium (Jacq.) Steud. (Fabaceae-Papilionoidae) na Região de Petrolina, Pernambuco. Ciência Rural, Londrina, v.31, n.4, p.597-601.

LEITE, A. V.; MACHADO, I. C. Biologia reprodutiva da “catingueira” (Caesalpinia pyramidalis Tul., Leguminosae-Caesalpinioideae), uma espécie endêmica da Caatinga. Revista Brasil. Bot., vol. 32, n.1, p.79-88, 2009.

LEWIS, G.; GIBBS, P. 1999. Reproductive biology of Caesalpinia calycina and C. pluviosa (Leguminosae) of the caatinga of north-eastern Brazil. Plant Systematics and Evolution, vol.217, p.43-53.

LLOYD, D.G.; WEBB. C. J. 1986. The avoidance of interference between the presentation of pollen and stigmas in angiosperms I. Dichogamy, New Zealand Journal of Botany, vol. 24, n.1, p.135-162.

MACHADO, I. C.; LOPES, A. V.; SAZIMA, M. 2006. Plant sexual systems and a review of the breeding system studies in the Caatinga, a Brazilian tropical dry forest. Annals of Botany, Inglaterra, v. 97, p. 277-287.

MACHADO, R. R. B.; MEUNIER, I. M. J.; SILVA, J. A. A., CASTRO, A. A. J. F. 2006. Árvores nativas para a arborização de Teresina, Piauí. Revista da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana, vol.1, n.1, p.10-18.

NASCIMENTO, E. A.; DEL-CLARO, K. 2007. Floral visitors of Chamaecrista debilis (Vogel) Irwin & Barneby (Fabaceae-Caesalpinioideae) at cerrado of Estação Ecológica de Jataí, São Paulo State, Brazil. Neotropical entomology, vol.36, n.4, p.619-624.

OLIVEIRA, M. I. B.; SIGRIST, M. R. 2008. Fenologia reprodutiva, polinização e reprodução de Dipteryx alata Vogel (Leguminosae-Papilionoideae) em Mato Grosso do Sul, Brasil. Revista Brasileira de Botânica, v.31, n.2, p.195-207.

OWENS, S. J. 1986. Stigma, style, pollen and the pollen-stigma interaction in Caesalpinioideae. In: Advances in legume biology. Proceedings of the 2nd International Legume Conference, St. Louis, Missouri. p.23-27.

PRICE, P.W. 2002. Species interactions and the evolution of biodiversity. In Plant animal Interactions an Evolutionary Approach (C.M. Herrera & O. Pellmyr, eds) Blackwell Publishing, Oxford, p.157-184.

QUEIROZ, L.P. 2009. Leguminosas da Caatinga. Universidade Estadual de Feira de Santana, Feira de Santana, 467 p.

RADFORD, A. E.; DICKSON, W. C.; MASSEY, J. R.; BELL, C. R. 1974. Vascular plant systematics. Harper & Row, New York, 891p.

RAJU, A. J. S.; KUMAR, R. 2016. Pollination ecology of Derris trifoliata (Fabaceae), a mangrove associate in Coringa Mangrove Forest, Andhra Pradesh, India. Journal of Threatened Taxa, v. 8, n. 5, p. 8788-8796.

RECH, A. R.; AGOSTINI, K.; OLIVEIRA, P. E.; MACHADO, I. C. 2014. Biologia da Polinização.

RODARTE, A. T. A.; SILVA, F. O.; VIANA, B. F. 2008. A flora melitófila de uma área de dunas com vegetação de caatinga, Bahia, Nordeste do Brasil. Acta Botanica Brasilica, vol. 22, n. 2, p. 301-312.

SCOGIN, R.; YOUNG, D. A.; JONES, C. E. 1977. Anthochlor pigments and pollination biology: II. The ultraviolet patterns of Coreopsis gigantea (Asteraceae). Bulletin of the Torrey Botanical Club, vol.104, p.155-159.

SHI-JIN, L.; DIAN-XIANG, Z.; LIN, L.; ZHONG-YI, C. 2004. Pollination ecology of Caesalpinia crista (Leguminosae: Caesalpinioideae). Acta Botanica Sinica, vol. 46, p. 271-278.

SIGRIST, M. R.; MUNIN, R. L.; TEIXEIRA, R. C. 2008. Esfingofilia e sistema de reprodução de Bauhinia curvula Benth.(Leguminosae: Caesalpinioideae) em cerrado no Centro-Oeste brasileiro. Revista Brasil. Bot, v.31, n.1, p.15-25.

SOARES, N. S. 2001. Leis Básicas do Município de Teresina. Teresina: O autor.

TERESINA. 2005. Plano Diretor do Parque Zoobotânico. Piauí: RECRIAR/Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, vol.1, n.1.

VAN DER PIJL, L. 1954. Xylocopa and flowers in the tropics. I– III. Proc. K. Ned. Akad. Wet. C, Amsterdam, v.57, p.413–23, 541-562.

VOGEL, S. 1990. The role of scent glands in pollination. Amerind Publishing, New Delhi.

WADDINGTON, K.D. 1983. Foraging behavior of pollinators. In Pollination biology (L. Real, ed.). Academic Press, Orlando, p.213-240.

WARWICK, M.C.; LEWIS, G.P. 2009. A revision of Cenostigma (Leguminosae –Caesalpinioideae –Caesalpinieae), a genus endemic to Brazil. Kew Bull, vol 64, p.135-146.

WENDT, T.; CANELA, M. B. F.; FARIA, A. P. G.; RIOS, R. I. 2001. Reproductive biology and natural hybridization between two endemic species of Pitcairnia (Bromeliaceae). American Journal of Botany, vol 88, p.1760-1767.

WIENS, D.; CALVIN, C. L.; WILSON, C. A.; DAVERN, C. I.; FRANK, D.; SEAVEY, S. R. 1987. Reproductive success, spontaneous embryo abortion, and genetic load in flowering plants. Oecologia, v. 71, n. 4, p. 501-509.

ZAPATA, T. R.; ARROYO, K. M. T. 1978. Plant reproductive ecology of a secondary deciduous tropical forest in Venezuela. Biotropica, vol.10, p.221-230.




DOI: https://doi.org/10.24221/jeap.1.1.2016.993.84-95

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Direitos autorais 2016 Journal of Environmental Analysis and Progress

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição - Não comercial - Compartilhar igual 4.0 Internacional.